Paranaturais

Paranaturais
Adriana Tabalipa/ Daniele Meirelles/ Edilene Capanema/ Adriana Tabalipa/ Daniele Meirelles/ Edilene Capanema/ José CarlosGarcia/ Juliana Cerqueira/  Karen Aune/ Mariana Manhães/ Simone Michelin com Alda Maria, Bela Maria e Nina Maria
Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Niterói
Brasil  – 2006 
Esta mostra reúne trabalhos e performances de artistas que vêm marcando o cenário da arte contemporânea nacional nestes últimos anos. O conceito de Paranatural é o ponto de convergência para essas poéticas que envolvem tanto investigações acerca da arte de hoje, como aquelas relativas ao indivíduo e suas relações com o corpo, com a subjetividade, com a criação e com a produção do novo graças a novas possibilidades técnicas e artísticas. Além disso, as propostas que participam da mostra Paranaturais inserem-se na dinâmica de investigação do possível, do autêntico, do verossímil, num momento em que “tudo já foi feito”.
A sociedade contemporânea, pós-net, pós-moderna, pós-industrial, determinada pelo paradigma da comunicação e da informação, tem a fragmentação como elemento-chave para a análise de suas mais diversas esferas. Essa fragmentação pode ser ilustrada pela metáfora do hipertexto, pela dissolução do ambiente coletivo, pela suplantação do Estado-providência por economias globais, móveis e flexíveis, pelos fluxos migratórios e as identidades híbridas etc. No centro dessa liquidez, dessa dinâmica atual dos fluxos, o sujeito, não menos fragmentado, vê-se obrigado a rever códigos e símbolos, a adaptar-se em permanência às oscilações e transmutações do mundo. No campo das artes, o reflexo imediato desse atual estado de coisas nos permite traçar inúmeras articulações. Uma delas diz respeito às possíveis apresentações e (re) invenções do corpo.
O corpo paranatural é o corpo reinventado e apresentado pela arte a partir das novas condições em que opera o artista de hoje. Paranatural é o elemento estético criado concomitante e paralelamente à natureza. O corpo paranatural é o lugar do autêntico, daquilo que só existe porque existe na invenção. Não se trata de representação, mas de transmutação. Uma transmutação operada pela arte aliada a novos materiais, a novas tecnologias, a um novo olhar sobre o sujeito e sua realidade. Matérias, materiais e o imaterial são elementos constitutivos dessa poética do paranatural.
Fabiana de Moraes
Curadora
NEOPHYTOS3